Gêneros de Confissão nas aulas de Língua Portuguesa
Um dos grandes “brilhos” dos gêneros confessionais é o fato de a narrativa ser carregada de realidade

O diário e a autobiografia já são, relativamente, recursos utilizados em aula de língua portuguesa em várias escolas brasileiras.
Falar sobre o que já passou, contudo, pode render ainda muito mais experiências aos alunos e professores, dado que cada memória escrita em qualquer recurso (cartas, livros, sites, redes sociais, blogs...) traz em si conteúdos riquíssimos que merecem nossa atenção.
Um dos grandes “brilhos” dos gêneros confessionais é o fato de a narrativa ser carregada de realidade, dado que o autor representa, por meio de palavras, aquilo que está vivendo (diário) e/ou aquilo que foi vivido em algum momento de sua vida (autobiografia).
Então, estabeleça uma ponte entre essa grande e prazerosa experiência que seus alunos estão vivendo e as perspectivas que alguns autores tiveram ao escrever outras formas de narrativas, tais como os contos, as crônicas e os romances.
Outro modo de enriquecer ainda mais o trabalho com esse gênero em nossas aulas se lança a nossa frente quando, de imediato, pensamos no tempo verbal que há na exploração do passado (memórias).
Inclusive, nesse aspecto é fundamental ressaltar a grande dificuldade que muitos escritores têm para começar e terminar um trabalho textual observando a coerência dos tempos verbais.
Isso é perfeitamente possível de acontecer também com nossos alunos, pois, no momento em que estiverem relembrando fatos importantes de suas vidas, um misto que envolve cenas do passado e do presente se formará na cabeça deles.
Em casos assim, o professor poderá instruir seus alunos a registrarem suas memórias, deixando-se envolver pelo calor que as lembranças causam em cada qual.
Somente após os registros terem sido feitos é que chegará o momento da revisão textual, ocasião em que outros pontos da língua portuguesa poderão também ganhar destaque.
Entre eles, pode-se trabalhar o emprego dos adjetivos para tornar a narrativa mais clara e fiel à carga de sentimento vivida pelo aluno para registrar um determinado momento, as pontuações empregadas para não deixar que a formalidade da narrativa impeça o repasse correto das informações e, claro, a coerência verbal, esta que permitirá uma leitura ainda mais agradável.
As possibilidades de abordagens a partir de gêneros de memória são imensas e encantadoras, pois, como diz o velho ditado, “relembrar é viver”.

Erika de Souza Bueno
Professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo; Articulista sobre assuntos de língua portuguesa, educação e família.
Ver artigos
Veja mais

Gestão na Educação
Neurociência aplicada à Educação Integral: o que todo educador precisa saber
No seu sentido mais amplo, Educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de uma geração para a geração...

Tecnologia na Educação
As TICs, TACs e TEPs no Ensino de Língua Inglesa
Acredite se quiser, mas houve uma época em que professores de inglês, como uma das estratégias para incrementar as aulas, tinham que ter a sorte de conseguir...

Tecnologia na Educação
Educação ambiental: 7 formas de ensiná-la utilizando a tecnologia
A combinação entre tecnologia e educação ambiental pode ser muito eficiente, especialmente para abordar temas associados à sustentabilidade junto aos alunos...

Gestão na Educação
3 soluções educacionais para aplicar com seus alunos em sala de aula
A presença da tecnologia na vida dos alunos já vinha fazendo com que novas soluções educacionais fossem desenvolvidas e adotadas. Contudo, isso vinha...